Saio numa viagem interplanetária a bordo de minha espaçonave. Estilo Star Wars.
Chego a um planetinha azul sem graça e me deparo com formas de vida inteligente, bem parecidas com a nossa. Idênticas na verdade, exceto por um detalhe. São todos cegos. Como contar-lhes que minha nave é vermelha? E que quando se olha para suas turbinas flamejantes, ardem-me os olhos?
Estarrecido, vou me embora. Acho outro planetinha mixuruca azul bebê. Digo "Oi" às formas de vida. Nada. Todos surdos. Como explicar quão contagiante e dançante é ouvir "Rocket to Russia"?
Meu grau de evolução e minhas qualidades sensoriais não me permitem ficar ali.
Sem combustível, paro num lugar estranho. Surgem seres mais ainda, dos quais mal consigo perceber que me cercam. Me olham, me ouvem. Captam de mim mais do que poderia explicar. Quantos mais sentidos eles têm? Sete, oito, além dos meus míseros cinco?
Depressivo, saio dali. Mas eles já sabiam e vieram me consolar.
Que parcela da natureza e da realidade deixo de vislumbrar pela minha falta e limitação de sentidos? Quantos e quão apurados devem ser para poder conceber a realidade em sua totalidade?
Injustiça natural os estranhos estarem mais próximos do que os dos planetas azuis.
Acredito que, aberto a todos mas restrito a alguns, no Yin, a falta total de sentido possa sim levar a um estado de real percepção do real.
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